É preciso ir

Logótipo rosa do blog O que acontece em Oeiras fica em OeirasEu e o meu homem já viajámos para alguns sítios pelo Mundo.

Por curiosidade, fui ver quantos países já visitei.

Se a memória não me falha, foram 36. Um pouco por todo o Mundo embora, claro, a maioria na Europa.

Olhando para o mapa, no entanto, os espaços em branco são tantos que é impossível não pensar que ainda há tanto Mundo para conhecer. Mesmo deixando de lado os países onde não me apetece ir, por um motivo ou por outro, ainda sobram muitos.

Países visitados
Países visitados, a rosa

O bichinho das viagens começou tarde. Mas instalou-se fundo.

Estou sempre a pensar onde gostaria de ir a seguir. E quando. E como. A verdade é que é fácil pensar que, para viajar, é preciso muito dinheiro. E que nem todos os sítios são adequados para viajar com miúdos.

Já viajei de forma mais luxuosa e de forma mais básica. Já fiquei em hotéis de 5 estrelas e em hostels tão maus, que saíamos cedo e voltávamos tarde, para ficar o mínimo de tempo possível.

Já ouvi pessoas a dizer que preferem viajar pouco, mas à grande.

Afinal, férias são férias e não querem fazer comida ou ficar num sítio mais longe. Para mim, férias é descoberta. Não me importa tanto o sítio onde durmo. Ou se tenho de apanhar um transporte a horas mais chatas.

Importa-me ir, só isso.

Descobrir outras formas de viver a vida. Aprender o que posso fazer de diferente na minha. Observar as pessoas. Fazer coisas importantes, como visitar um local histórico. Ou apreciar uma obra de arte. Ou coisas simples, como fazer um picnic num parque ou andar de comboio.

Não tenho dúvidas que sou a pessoa que sou hoje, porque viajei desta forma. Porque me permiti alguns desconfortos, em nome da descoberta.

Agora que sou Mãe, claro que me preocupo mais com os destinos que escolho.

E com as opções que faço. Mas não deixo de ir. E vou pensando que o meu miúdo irá crescer a olhar para as pessoas de uma forma mais tolerante. Que estará mais habituado a ver pessoas diferentes. Com vidas diferentes. Que tomam opções diferentes das nossas.

Se em mim isto tem um enorme impacto, só tendo começado a viajar depois dos 23 anos, que dirá numa criança?

Um dia li nalgum sítio que viajar é a única coisa que compramos que nos deixa mais ricos. E não tenho dúvidas que é mesmo verdade.

Se tiverem curiosidade, podem ver por onde andámos. Ainda há muito por adicionar mas, por enquanto, podem ver as nossas odisseias pelo Japão, China e Montenegro.

Imagem de Nestoras Argiris no Unsplash

Uma festa, por favor

Logótipo rosa do blog O que acontece em Oeiras fica em OeirasO meu miúdo mais pequeno (os maiores são do tipo felino :-)), fez anos. É o primeiro aniversário que ele vive intensamente. Por isso, está a ser vivido de forma (ainda) mais especial.

Queríamos que estivessem connosco as pessoas mais importantes. Para nós e para ele.

Mas também queremos que todos se sintam à vontade e que uma festa de crianças não seja aborrecida para os adultos.

Além disso, temos cada vez mais preocupações com a sustentabilidade. Assim, a celebração tinha de refletir isso. Além de que os miúdos aprendem com o que vêem e é importante para nós que as mensagens do ambiente estejam presentes no dia-a-dia.

Por isso, e para a animação ser ainda maior, fizemos várias festas.

Uma em casa, para a família. Outra na escola, com os colegas. E ainda outra com amigos nossos, que têm miúdos pequenos. Para esta, dissemos ao nosso pequeno que podia convidar 3 colegas. A nossa ideia é fazer ao ar livre, se o tempo ajudar (estamos a fazer figas!).

Mas o que queríamos que fosse constante em todas elas era:

  • ter coisas boas para comer e saudáveis q.b.
  • reduzir os plásticos
  • reutilizar materiais
  • dar significado à presença das pessoas, mais do que ao ato de receber prendas

Esta última é possivelmente a mais difícil. Quem é que não gosta de receber prendas, certo?

Mas para não tornar a festa só à volta de receber prendas, tentámos envolver o miúdo nos preparativos. Assim, esperamos que dê valor ao receber os convidados, ter uma casa decorada para a festa, preparar coisas para comer e escolher quem queremos connosco.

Fazer os convites

Para família e amigos, convidámos por telefone e email. Mas para os amigos da escola, fizemos convites em papel. E o miúdo fez a sua parte. Escolheu os bonecos que queria em cada convite e recortou-os.

Preparar a casa

Decorámos a sala com bandeiras de papel coloridas, que já tinhamos do ano passado. E com uma faixa com letras em papel, também já antiga. Comprámos um balão com o número dos anos (é em plástico, mas não resistimos!). Fizemos isto com a ajuda dele, não só para o envolver, mas para que valorize o esforço (nosso e dele).

Ter uma mesa boa

O bolo de aniversário é sempre o mesmo! Desde que descobri uma receita mais saudável, que todos gostam, que não variamos muito.

Para a festa em casa, o miúdo fez o bolo comigo – gosta de juntar as farinhas, mexer a massa… e lamber a espátula no final, pois claro. Fomos a uma loja escolher um boneco para decorar o bolo. Escolheu ele, o Simba do Rei Leão. A primeira escolha era a Mérida do Brave, mas não se aguentava em pé 🙂 O boneco é de plástico mas fica para ele brincar.

De resto, fizemos coisas simples e q.b. de saudáveis. Salsichas de aves e de tofu, mas também havia presunto. Queijos variados nunca faltam, porque somos (quase) todos queijo-ólicos.

O miúdo ajudou a levar as coisas para a mesa, ir buscar os bancos e pôr a mesa.

Mas o que era mais importante era reduzir os plásticos. Pelo menos aqueles que só se usam uma vez.

A festa em casa fez-se com louça normal. Com a exceção de talheres de plástico que tinha em casa, e que ficaram de outros tempos.

Para a festa com a criançada, andei à procura de pratos, copos e talheres mais sustentáveis. E devo dizer que os talheres foram um desafio.

Pratos de papel há em todo o lado.

Em supermercados, lojas de artigos para festas, online e nas lojas físicas. Comprei alguns online e outros na Tiger.

Copos de papel comprei na Tiger.

Em lojas de festas não encontrei, só plástico. E as lojas online mais ligadas à sustentabilidade não têm artigos deste género.

Finalmente, os talheres sustentáveis – o mais difícil.

Apesar de muitos supermercados anunciarem de bambu ou madeira descartável, em loja é difícil de encontrar. Mesmo online muitas vezes estão como indisponíveis. Ou é preciso pagar portes elevados, o que não compensa.

Procurei online, e pedi ajuda, e acabei por encontrar uma pequena empresa de catering em Lisboa. Comprei garfos e colheres de madeira descartável, com um preço muito acessível (aproximadamente 0,05€ cada um).

O ideal seria tentar comprar tudo no mesmo sítio e fisicamente. Para reduzir os transportes e as embalagens (de plástico, claro), mas é um começo.

Mais importante do que ter um tema para a festa ou um sítio alugado cheio de animação, para nós, este ano, o mais importante era estarmos juntos e com significado. A nossa esperança é que estes nossos gestos sirvam para criar uma pessoa mais sensível ao que a rodeia – quer em termos humanos, quer ambientais.

Duas festas já foram, siga para a próxima!

António, o fotógrafo

Logótipo rosa do blog O que acontece em Oeiras fica em OeirasConheci o António recentemente. Como aconteceu com as outras pessoas de Oeiras, com exceção do Pedro, conheci-o online.

O António Pedro Santos é fotógrafo.

Jornalista de formação, descobriu a fotografia só aos 21 anos. Passou por vários jornais e acabou por optar pela liberdade (e responsabilidade) de trabalhar como freelancer.

Apaixonado pela família e por viagens, coloca a sua paixão e forma de estar em tudo o que faz.

Incluíndo nas suas tertúlias fotográficas, que organiza em Oeiras.

Nelas há sempre fotógrafos convidados, que partilham a sua experiência. E pessoas das mais diversas áreas, que têm o bichinho da fotografia. Mas que também gostam de discutir outros assuntos e conhecer pessoas interessantes.

Foi um prazer conhecer o António e é um prazer ler as suas partilhas.

E para saber mais sobre o António Pedro Santos, fotógrafo, nada como ler o que ele mesmo nos partilhou.

António Pedro Santos, fotógrafo
O António Pedro Santos, numa das suas tertúlias fotográficas, em primeiro plano.
Imagem principal de Markus Spiske no Unsplash
Imagem do António Pedro Santos cedida pelo próprio

Oeiras acontece… em abril

Logótipo rosa do blog O que acontece em Oeiras fica em OeirasEsta rubrica destina-se a dar ideias de coisas para fazer no mês seguinte. Coisas que acontecem em Oeiras. Ideias de programas ou passeios. Alguns a custo zero, outros pagos. Em família, a dois, com amigos ou porque não sozinho?

Abril é um mês muito especial para mim.

Afinal, foi quando nasceu o meu pequeno e me tornei mais qualquer coisa de maior que eu mesma (e comecei a ganhar cabelos brancos e rugas também…).

Além disso, é o mês do 25 de abril o que, por si só, já merece um destaque mais que especial. E em Oeiras vai ser mesmo especial. Aliás, já está a ser. A assinalar os 45 anos da data, e até 26 de maio, há uma série de eventos gratuitos. É só escolher.

Aqui vão então as sugestões do blog O que acontece em Oeiras fica em Oeiras

Para que não haja desculpas para não aproveitar Oeiras e os seus espaços!

Comemorações do 25 de abril – vários espaços – abril. Entrada gratuita.

A programação é tão extensa que difícil pode ser escolher. Para dar uma ajuda, destaco:

Não é um novo espaço para eventos em Oeiras. É mesmo a casa de alguém, onde se irá realizar este concerto. Não se sabe ainda onde, é uma questão de estar atento!

  • 7 de abril – Instameet – Centro histórico de Oeiras

Não estou certa se se pode ir a este evento – quanto mais não seja, pode-se seguir no Instagram! Vários instagramers vão andar pelo centro histórico e mostrar a sua experiência por lá. São eles @filipesj, @guirbarata, @martanferreira, @teresacfreitas e @voodoolx.

  • 14 de abril – Arte urbana – Centro histórico de Oeiras

Nicolae Negura vem ao centro histórico fazer uma obra artística ao vivo, numa parede ao ar livre.

  • 19 de abril – Prova de vinhos de Carcavelos – Local a indicar

É um mistério para mim porque é que o vinho de Carcavelos se chama Villa Oeiras. Seja como for, uma prova de vinhos é sempre uma boa ideia!

  • 28 de abril – Workshop de danças tradicionais – Largo 5 de outubro

A Tradballs faz uma visita a Oeiras e traz as suas danças tradicionais. Seja um virtuoso da dança ou tenha dois pés esquerdos, experimente! Das 10h às 13h.

Ver o programa completo.

Dia do Município Saudável – Porto de Recreio de Oeiras – 6 abril. Entrada gratuita.

6 de abril é Dia Mundial da Atividade Física. Para o assinalar, vai haver uma série de atividades ligadas ao desporto e saúde, promovida por várias entidades. Rastreios de saúde ou informação sobre bem estar, serão alguns dos assuntos discutidos.

Teatro – Teatro Independente de Oeiras – várias datas. Entrada paga.

Este mês o T.I.O. tem uma peça em cena. Mais uma comédia, ao estilo habitual – H2M1 Parte 3 – Um bico… d’obra. 5ªs, 6ªs e sábados às 21h30.

Além desta, está em cena uma peça para toda a família, N´ó é. Um mundo de fantasia e festa, com direito a elefantes, passarinhos, cigarras e grilos. Aos domingos às 11h.

Descubra estas peças.

Mostra de Teatro Amador de Oeiras – vários espaços – várias datas. Entrada gratuita.

A partir do Dia Mundial do Teatro, que se celebrou a 27 de março, comemora-se uma das várias artes. São várias as salas que vão receber os espetáculos e para todas as idades.

Veja o programa completo.

Soam as guitarras – vários espaços – várias datas. Entrada paga.

Este festival de guitarras vive-se em Oeiras, Évora e Póvoa do Varzim. Por Oeiras, serão 8 concertos de autores bem conhecidos. Sempre com a guitarra a acompanhar.

Veja o programa completo.

Conversas com rastilho – Fábrica da Pólvora de Barcarena – 2 e 28 de abril, 21h30. Entrada gratuita.

A CMO aliou-se à TSF e criaram este Conversas com rastilho. Escolhido um tema, convidam-se 2 personalidades e… acende-se o rastilho! Serão conversas moderadas por jornalistas da TSF, às quais se pode assistir ao vivo.

No dia 2 já há presenças confirmadas – Pedro Abrunhosa e Graça da Fonseca.

Veja o programa completo.

Grupo de leitores – Bibliotecas Municipais – 2, 8, 9 e 29 de abril, 18h. Entrada gratuita.

Este Grupo de leitores é uma espécie de Clube do Livro no seu espaço próprio – as bibliotecas municipais. A ideia é ir partilhar opiniões, críticas, sobre um determinado livro. É uma ótima oportunidade de conhecer pessoas com este interesse em comum.

  • 2 e 9 abril – Jerusalém de Mia Couto, em Oeiras
  • 8 abril – O mundo ardente de Siri Hustvedt, em Carnaxide
  • 29 abril – A nossa alegria chegou de Alexandra Lucas Coelho, em Algés

Microsons – Templo da Poesia no Parque dos Poetas – 5, 6, 12 e 13 de abril. Entrada paga (com eventos gratuitos).

O Microsons é um festival de música, com músicos estabelecidos e outros mais desconhecidos. A isso, junta conversas soltas, poesia, DJ´s, uma exposição de fotografia sobre o rock português e cerveja artesanal. Entre as 19h e as 20h30, a entrada é livre. A partir dessa hora, só com bilhete.

Veja o programa completo.

Feira de artesanato – Praceta Dionísio Matias, Paço de Arcos – 6 e 7 de abril, 10h-17h. Entrada gratuita.

Tudo a que tem direito nesta feira de artesanato. Além da habitual bijuteria e cerâmica, há artigos em 2ª mão.

Pode ir seguindo os eventos.

Canto de colo – Biblioteca Municipal de Algés – 13 abril, 10h30 e 11h30. Entrada livre.

Para bebés e crianças até aos 3 anos, aqui canta-se, conta-se e brinca-se. Sempre em família e na comunidade, e aproximando a biblioteca dos cidadãos.

Concerto para os pequenitos – Centro Cívico de Carnaxide – 14 de abril, 11h. Entrada paga.

Um concerto para bebés e crianças até aos 6 anos. Para inscrever é preciso enviar um email a reservar @filarmónicacarnaxide@gmail.com.

Pode ver o detalhe.

Café com Letras – Biblioteca Municipal de Oeiras – 18 abril, 21h30. Entrada livre.

O Café com Letras coloca autores portugueses e estrangeiros à frente dos seus leitores. Para falar sobre os seus livros. Este mês o convidado é Mário Carvalho. É só aparecer!

Capitão Fausto – Largo 5 de outubro – 25 abril, 22h30. Entrada livre.

Os Capitão Fausto são uma banda portuguesa e vêm a Oeiras no dia mais importante das comemorações do 25 de abril!

Vários eventos – Livraria Gatafunho

Já falei aqui várias vezes na livraria Gatafunho. E não me canso de continuar, porque vale mesmo a pena.

Sempre que quero um livro mas não sei bem o que hei-de comprar, vou lá. E venho sempre com uma ótima escolha.

Os eventos de abril ainda não estão publicados, mas é só ir acompanhando.

E os de sempre!

Feira de velharias – Jardins de Paço de Arcos e Algés – Terceiro e quarto domingo do mês. Entrada livre.

Estas feiras acontecem todos os meses e são bem engraçadas. Mesmo que não aprecie o conceito, não vai deixar de se deliciar com as relíquias que aqui se encontram. E é quase a trip down memory lane, para os mais velhos!

Mercado Agrobio – Jardim Municipal de Oerias – todos os sábados, 9h-14h. Entrada livre.

O biológico está na moda e muitos procuram estas alternativas em lojas especializadas ou nas áreas dedicadas dos supermercados. Esta é a oportunidade de comprar diretamente a produtores bio, ajudando os produtores mais pequenos.

O jardim é bonito e também vale a pena uma visita, por isso é um programa 2 em 1.

Gostava de ouvir as vossas sugestões! Escrevam-me ou deixem nos comentários.

Aproveitem o mês de abril e, até lá, bons programas!

Só para amantes de gatos: Gatomania

Logótipo rosa do blog O que acontece em Oeiras fica em OeirasNa livraria Gatafunho ama-se gatos. Tanto, que há sempre um na loja, disponível para festinhas, roçanços nas pernas ou um colinho demorado.

Por isso, a exposição Gatomania não podia ter encontrado um melhor sítio.

Nesta exposição de esculturas em papel, a estrela é o gato. Os meus, os teus, os nossos, os vossos, os de ninguém. Diz-se que são os gatos que nos escolhem e adotam. Não sei se concordo com a primeira, mas a segunda é definitivamente verdade.

Se gostam de gatos, de livros e de sítios bonitos, vão até à Gatafunho, até 31 de março.

É só mais uma desculpa para lá ir. E se precisam de outra, vão comer um gelado ao Don Pavili – é mesmo ao lado.

Imagem por James Sutton no Unsplash

Quando o que é preciso é começar

Logótipo rosa do blog O que acontece em Oeiras fica em OeirasNão tenho por hábito ler dois livros ao mesmo tempo (o meu intelecto baralha-se com duas tramas diferentes!). No entanto, este livro não é um livro normal.

A arte subtil de saber dizer que se f*da, de Mark Manson, é uma espécie de guia de vida, para ir lendo (e relendo).

O resultado da muita experiência de vida do autor, de muitas cabeçadas que deu e de muita asneira que fez. Diz ele que é uma abordagem contraintuitiva para viver uma vida melhor.

Este livro permaneceu na minha mesa-de-cabeceira durante meses, e fui lendo ao longo do tempo.

A dada altura, o escritor diz uma coisa curiosa que é, ao mesmo tempo, tão simples e tão complicada. Perante uma tarefa complicada, ou que nunca fizemos, muitas vezes não sabemos por onde começar. Não conseguimos fazer um plano. E acabamos a procrastinar o assunto por tempo infinito. À espera de conseguir montar esse tal plano.

O conselho de Mark é tão simples – quando não sabe por onde começar, simplesmente comece.

Com qualquer coisa. De qualquer maneira. E, à medida que se começa, de repente sabemos o que fazer a seguir. E um plano, que até faz sentido, começa a aparecer.

Claro que isto vai totalmente contra o que está estabelecido. Avançar depois de planear, estabelecer objetivos, definir uma estratégia.

Só posso dizer que experimentei e resultou comigo. Tinha muitas ideias, mas pouco estruturadas. Resultado? Não avançava com nada.

Por isso, um dia fui começando por pequenas coisas. Fi-las. E daí surgiram outras ideias. Que fiz também. Não sei onde tudo isto me irá levar – talvez a um plano, talvez a mais ideias. Mas sei que vale a pena tentar. Por isso, o livro, apesar de terminado, continua na mesa-de-cabeceira.

Imagem de Danielle MacInnes no Unsplash

Às vezes a leitura não flui…

Logótipo rosa do blog O que acontece em Oeiras fica em OeirasO meu livro de março do desafio Uma dúzia de livros está a ser, como dizer… um desafio!

Foram raras as vezes nas quais não terminei um livro.

Tão raras que até me lembro de quais foram:

Não estou ainda na fase de desistir do livro, mas não estou a devorá-lo sofregamente. Como já aconteceu noutros casos. E como não tenho assim tanto tempo livre, ler uma enciclopédia russa acaba por ficar mais em baixo na lista de prioridades. Leio todos os dias um bocadinho, principalmente nos transportes. Mesmo assim, não é suficiente para terminar o livro até ao final do mês.

Mesmo sem ter terminado (ainda), partilho já as minhas impressões.

Surpreendentemente, tendo em conta que foi escrito em 1873, a leitura não é difícil. Como a edição é muito antiga, há palavras que já não se escrevem da mesma forma. O que até é curioso de ver.

A narrativa passa-se na época dos czares russos. Antes da revolução vermelha. A separação entre classes sente-se a cada página. Nós e eles. As personagens retratadas são todas da alta sociedade russa – políticos, dignitários, proprietários agrícolas, embaixadores.

Anna Karenine é uma senhora bem casada com um alto funcionário público. Uma espécie de ministro. Não faz nada a não ser ir a festas e conviver. Alterna entre Moscovo e São Petersburgo, entre casas ricas e jogos de cartas. Um dia, conhece um homem e apaixonam-se perdidamente. Vivem um romance intenso, que acabará por lhe revolucionar a vida.

O livro tem muitas histórias paralelas, com personagens que se cruzam.

A mais interessante, para mim, é a de Levine. Um proprietário de terras, que anseia casar e constituir família. Tradicionalmente, dirige a propriedade com grande rigor, deixando o trabalho duro, naturalmente, para os trabalhadores rurais. Mas, a dada altura, começa a trabalhar, lado a lado, com eles. E algo começa a mudar na cabeça dele. Implementa um sistema de arrendamento de parcelas aos trabalhadores. Desta forma, trabalham a terra com mais afinco, pois ficam com parte do lucro. E embora considere que os estudos não são necessários para “aquelas pessoas”, de alguma forma começa a vê-las de modo diferente.

É, naturalmente, um livro muito político. Não sei o suficiente do autor ou de história russa para fazer paralelismos com a realidade.

Mas acredito que, sendo o autor bastante inteligente e culto, estivesse de alguma forma a antecipar as grandes mudanças. Que, sabemos, viriam a acontecer na sociedade russa.

Apesar de compreender porque é um grande clássico, não consigo relacionar-me com o livro. A história não me apela, há partes muito descritivas e aborrecidas. Mas, acima de tudo, não me identifico com as personagens e seu modo de vida. E, por isso, tenho mais dificuldade em avançar.

No entanto, não me apetece pousá-lo. Por isso, vou lendo e logo se vê até onde vou.

Mais inclusivo é bom para todos

Logótipo rosa do blog O que acontece em Oeiras fica em OeirasA 21 de março assinala-se o Dia Mundial da Trissomia 21. Não é certamente a data mais celebrada nem a mais sexy. Mas é possivelmente mais importante.

Eu não sabia que esta data existia. Não conheço ninguém com este síndrome, por isso não estarei sensibilizada para o tema.

Mas hoje, não sei porquê, aceitei o folheto que me entregaram na estação de Oeiras. Eu que nunca os aceito. Foi qualquer coisa no sorriso da mulher que mo estendeu. O olhar franco e nos olhos. O que disse. “É só para ler.” Aceitei e agradeci. E ainda bem.

O folheto era a partilha de vida de um jovem com trissomia 21, chamado João.

Tem 24 anos e vive e trabalha em Oeiras. E pretende ajudar a sociedade a quebrar o estigma e ser mais sensível à diferença e deficiência, sem marginalizar. Por uma sociedade mais inclusiva.

De facto, parece-me que uma sociedade mede o seu avanço civilizacional pela forma como trata os seus cidadãos. Principalmente os que são diferentes da norma. Quer essa diferença seja pela raça, classe ou capacidade.

O João viu-lhe atribuída uma incapacidade de 61%. Mas tem capacidade para se arranjar diariamente, arrumar a casa, deslocar-se, trabalhar na marina de Oeiras e praticar desportos variados. Aliás, foi campeão nacional de ténis de mesa por 7 vezes, campeão mundial em 2015 e europeu em 2017. Talvez seja mais do que muitos outros jovens de 24 anos.

Não sei qual foi a motivação daquela mulher para estar na estação de Oeiras a distribuir folhetos.

Talvez recolher apoios. Chamar a atenção para o desporto de atletas fora da norma. Ou somente, e tão importante, apelar à reflexão por uma sociedade mais inclusiva. Pelo menos a mim já me fez pensar, o suficiente para escrever sobre isso.

Se quiserem podem acompanhar o João todos os dias. E ver do que ele é capaz, com as suas (in)capacidades.

Imagem por Nathan Anderson no Unsplash

Fim-de-semana de Carnaval no Palácio

Logótipo rosa do blog O que acontece em Oeiras fica em OeirasTal como falei aqui, este ano houve festa de Carnaval a sério, em Oeiras. E nós lá rumámos, para aproveitar o bom tempo, a festa e o fantástico espaço dos jardins e Palácio do Marquês de Pombal.

No sábado fomos só ao fim do dia. Ainda apanhámos um pouco da festa, mas estava a esmorecer.

Nos jardins estava montada uma enorme tenda, onde íam acontecendo algumas animações. E havia também uma pista de dança com luzes a rigor. Já no palácio estava aberta uma casa de chá, com ofertas de pastelarias de Oeiras. Havia figurantes por todo o espaço, vestidos com trajes da época dos marqueses.

E falavam o português dessa época também (pelo menos o que imaginamos ser daquela época). O que confundiu o nosso miúdo quando lhe foi perguntado “Qual é a sua graça?”.

Como sábado soube a pouco, voltámos no domingo de manhã. Fomos ver um espetáculo de marionetas, com a história de como surgiram as quatro estações do ano. Uma história dos Deuses, muito bem contada por dois atores, que souberam conversar e brincar com os miúdos que assistiam.

Dançámos na pista de dança, como se ninguém estivesse a ver.

E ainda vimos um concerto, com duas talentosas cantoras líricas, acompanhadas à guitarra.

Cada vez há mais eventos bons em Oeiras. O que reparo é que muitos têm pouca adesão.

Como foi o caso deste. Não sei se é pouca divulgação ou pouca vontade. Mas é uma pena. Eu vou fazendo a minha parte por aqui.

Oeiras acontece… em março

Logótipo rosa do blog O que acontece em Oeiras fica em OeirasEsta rubrica destina-se a dar ideias de coisas para fazer no mês seguinte. Coisas que acontecem em Oeiras. Ideias de programas ou passeios. Alguns a custo zero, outros pagos. Em família, a dois, com amigos ou porque não sozinho?

Em março começa a primavera. Os dias já são maiores. E voltamos a meter o nariz mais fora de portas.

Março começa logo com o Carnaval, para sair para a rua em grande folia. E o bom tempo que se faz sentir convida mesmo a descobrir espaços exteriores (embora seja preocupante em termos ambientais).

Aqui vão então as sugestões do blog O que acontece em Oeiras fica em Oeiras

Para aproveitar os dias e principalmente fazer render os fins-de-semana!

Baile de máscaras – Jardins do Palácio do Marquês de Pombal – 1 a 3 março. Entrada gratuita.

Este ano vamos ter Carnaval em Oeiras, e em bom. Música, dança, oficinas, fogo de artifício e uma casa de chá alimentada com pastelarias da zona. Eu vou lá passar de certeza!

Mais informações aqui.

‘Absurdium’ – Custom Circus – Nirvana Studios – 2, 6 e 30 março, 22h. Entrada paga.

Este espetáculo apresenta um mundo absurdo em 2072 (veremos quando lá chegarmos se a realidade suplanta a ficção). O final é sempre inesperado e há aparentemente alguma interação com o público.

Mais informações aqui.

Teatro – Teatro Independente de Oeiras – vários horários. Entrada paga.

O T.I.O. já tem uma longa carreira, principalmente associado à comédia. Este mês estreia uma nova peça para bebés. E dá última oportunidade a quem ainda não viu as peças em cena!

  • Os ignorantes, uma comédia com Pedro Cardoso – até 2 de março
  • Nem sim Nem não, uma comédia para todas as idades – até 3 março
  • Vida 1, o novo espetáculo para bebés – a partir de 10 março, domingos às 11h

Mais informações aqui.

Teatro “Procuro o homem da minha vida. Marido já tive” – Auditório Municipal Eunice Munoz – 4ªs a sábados 21h30, domingos 16h. Entrada paga.

Esta comédia promete arrancar umas boas gargalhadas à audiência. Aborda o tema da procura do homem ideal, para um final feliz. Com 3 atrizes à altura do desafio!

Fica em cena só até 3 de março!

Mais informações aqui.

Odisseia – Teatro Municipal Amélia Rey Colaço – Domingos, 11h. Entrada paga.

A Odisseia de Homero é um épico. E se o tornarmos infantil e baseado na imaginação? É isso mesmo que faz esta peça da Companhia de Actores.

Só até 24 de março!

Mais informações aqui.

Vários eventos – Livraria Gatafunho

A livraria Gatafunho é, para mim, a melhor livraria para crianças de Oeiras. Quem lá trabalha sabe aconselhar livros para determinadas idades ou interesses. O espaço é bonito e não esquece o seu principal Cliente – a Criança! Há umas cadeiras e mesa pequeninas, onde os mais pequenos podem desfolhar os livros sem restrições.

Este mês têm marcados os seguintes eventos:

Mais informações aqui.

Conferência Internacional sobre Igualdade Parental – Auditório Municipal Ruy de Carvalho – 8 e 9 março, 9h30-17h. Entrada paga.

Numa altura em que tanto se fala sobre a igualdade de género, parece-me um tema relevante. A quem interessar o tema, é uma boa oportunidade para ouvir muitos especialistas na área, em dois dias dedicados.

Mais informações aqui.

Nós leitores – Auditório Municipal Ruy de Carvalho – 14 março, 21h30. Entrada livre.

Mais um encontro para falar as escolhas literárias de personalidades da nossa sociedade. Desta vez os convidados são Cândida Pinto e Rodrigo Guedes de Carvalho.

O que andarão eles a ler?

Mais informações aqui.

Clique 2.0 – Palácio Anjos – 20 março, 19h30. Entrada livre.

Para os fãs de fotografia, é A oportunidade de ouvir David Gibson em discurso direto. Fotógrafo de rua britânico, expõe regularmente em várias galerias pelo Mundo e dá workshops de fotografia. Aliás, depois de o ouvir em Algés, pode ir fazer o workshop que ele vai dar em Lisboa, nos dias 22, 23 e 24 de março.

Mais informações aqui.

E os sempre repetentes!

Feira de velharias – Jardins de Paço de Arcos e Algés – Terceiro e quarto domingo do mês. Entrada livre.

Estas feiras acontecem todos os meses e são bem engraçadas. Mesmo que não aprecie o conceito, não vai deixar de se deliciar com as relíquias que aqui se encontram. E é quase a trip down memory lane, para os mais velhos!

Os jardins ficam aqui e aqui.

Mercado Agrobio – Jardim Municipal de Oerias – todos os sábados, 14h-18h. Entrada livre.

O biológico está na moda e muitos procuram estas alternativas em lojas especializadas ou nas áreas dedicadas dos supermercados. Esta é a oportunidade de comprar diretamente a produtores bio, ajudando os produtores mais pequenos.

O jardim é bonito e também vale a pena uma visita, por isso é um programa 2 em 1.

Mais informações aqui.

Gostava de ouvir as vossas sugestões! Escrevam-me ou deixem nos comentários.

Aproveitem o mês de março e, até lá, bons programas!